Inanna
Nossa trajetória começa na antiga Mesopotâmia, especialmente na Suméria, onde encontramos Inanna, uma das divindades mais importantes do mundo mesopotâmico. Seu culto possui raízes muito antigas e alcançou enorme relevância, principalmente na cidade de Uruk, um dos grandes centros urbanos da Antiguidade.
Em Uruk encontrava-se o Eanna, importante complexo religioso associado à Deusa. Inanna ocupava uma posição de grande destaque no imaginário religioso sumério e aparece em mitos, hinos, inscrições e composições literárias que sobreviveram em tabuletas cuneiformes.
Sua natureza reunia aspectos que, para a mentalidade moderna, podem parecer contraditórios. Inanna estava relacionada ao amor e à sexualidade, mas também à guerra. Era uma figura de desejo e fertilidade, ao mesmo tempo em que podia representar força, autoridade, conflito e conquista.
Também possuía forte relação com a soberania e o exercício do poder. Reis recorriam à sua proteção e sua presença estava profundamente ligada à ordem política e religiosa das cidades mesopotâmicas.
Entre os textos mais importantes relacionados à Deusa encontra-se a célebre narrativa conhecida modernamente como A Descida de Inanna ao Mundo Inferior, na qual a Deusa atravessa os sete portões do reino de sua irmã Ereshkigal, sendo progressivamente despida de seus atributos de poder.
Inanna também ocupa lugar central nos escritos atribuídos a Enheduanna, sacerdotisa do período acádio e uma das autoras nomeadas mais antigas conhecidas pela humanidade. Seus textos contribuíram para preservar uma imagem grandiosa, soberana e temível da Deusa.