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Astaroth: da Deusa à figura demonológica

Como séculos de transformações religiosas, linguísticas e culturais contribuíram para a construção do Astaroth encontrado posteriormente nos grimórios europeus.

Leitura estimada: 18–22 min
Última revisão: setembro de 2026
Templo Soberano de Astaroth

Dizer que Astaroth passou “da Deusa à figura demonológica” pode parecer, à primeira vista, uma história simples: uma antiga divindade teria sido transformada diretamente em demônio.

Mas a documentação histórica revela um processo muito mais complexo.

Entre a Astarte venerada na Antiguidade e o Astaroth descrito pelos grimórios europeus existem muitos séculos, diferentes idiomas, tradições religiosas distintas e profundas mudanças na maneira como antigas divindades passaram a ser interpretadas.

Não existe um único documento dizendo: “a partir deste momento Astarte será Astaroth e será considerada um demônio”.

O que existe é uma sequência de registros que nos permite observar mudanças de nome, rejeição religiosa, releituras teológicas e, posteriormente, a inclusão de Astaroth em catálogos de espíritos demonológicos.

Por isso, este artigo não trata a demonização como um acontecimento único.

Trata-a como um processo histórico de transformação.

Astarte existia muito antes de Astaroth

Antes dos catálogos demonológicos europeus, encontramos Astarte, também registrada como Ashtart, no antigo Oriente Próximo.

Astarte pertence especialmente ao universo religioso semítico ocidental e aparece em contextos ligados ao Levante, incluindo importantes tradições fenícias.

Durante o primeiro milênio antes da era comum, representações associadas a Astarte circularam pelo Mediterrâneo acompanhando redes e comunidades fenícias. 1

O Metropolitan Museum of Art registra, por exemplo, que representações de uma deusa identificada como Astarte ou Ashtart surgiram em diferentes regiões mediterrâneas nesse período. 1

Em Chipre, evidências arqueológicas mostram que sua veneração se encontrava estabelecida sob forte influência fenícia. 2

Portanto, quando começamos a história de Astaroth diretamente pela Ars Goetia, estamos entrando na narrativa em um momento extremamente tardio.

A imagem demonológica não é o primeiro registro dessa longa trajetória histórica. Ela pertence a um período muito posterior.

Ashtoreth nos textos bíblicos

Uma etapa importante dessa transformação aparece nos textos bíblicos.

Ali encontramos o nome Ashtoreth, relacionado historicamente a Ashtart ou Astarte.

Em 1 Reis 11:5, Ashtoreth ainda é explicitamente identificada como divindade dos sidônios. 3

Isso é importante.

Nesse estágio, o texto não está apresentando Ashtoreth como o “Duque Astaroth” encontrado posteriormente nos grimórios.

Ela ainda aparece como uma divindade pertencente a outra tradição religiosa.

Porém, essa divindade é apresentada sob uma perspectiva claramente negativa.

Em 2 Reis 23:13, por exemplo, Ashtoreth é chamada, dentro da tradução, de algo equivalente à “abominação dos sidônios”. 4

O texto está inserido em uma narrativa de condenação a cultos considerados estrangeiros ou incompatíveis com a centralização do culto israelita.

Contexto antigo

Astarte

Divindade venerada dentro de tradições próprias do antigo Levante.

Possuía culto, representações e espaços religiosos.

Outro olhar religioso

Ashtoreth

A mesma tradição divina passa a ser registrada a partir do olhar de autores que rejeitam seu culto.

A mudança aqui é também uma mudança de perspectiva.

O próprio nome pode carregar uma transformação

A forma bíblica Ashtoreth também se tornou objeto de discussão filológica.

Uma interpretação tradicional, registrada por Morris Jastrow Jr. e George A. Barton na Jewish Encyclopedia, explica Ashtoreth como uma modificação de Ashtart influenciada pelas vogais da palavra hebraica bosheth, associada à ideia de “vergonha”. 5

Essa explicação deve ser apresentada como uma interpretação filológica histórica, e não como se encerrasse todas as discussões linguísticas sobre o nome.

Ainda assim, ela é extremamente relevante para compreendermos como o próprio modo de nomear uma divindade pode expressar conflito religioso.

Um nome não circula fora da história.

Ele também pode carregar a visão daqueles que o registraram.

O que significa dizer que uma divindade foi demonizada?

A palavra demonização é usada com frequência, mas precisa ser utilizada com precisão.

Uma religião pode rejeitar a divindade de outra sem necessariamente transformá-la, imediatamente, em um personagem demonológico.

Por isso, é útil diferenciar algumas etapas.

Para não simplificar demais

Quatro processos diferentes

1

Diferença religiosa: uma divindade pertence a outro povo ou outro sistema religioso.

2

Condenação: seu culto passa a ser descrito negativamente por outra tradição.

3

Reinterpretação teológica: antigos deuses podem ser explicados como espíritos enganadores ou forças demoníacas.

4

Catalogação demonológica: o nome passa a integrar listas organizadas de espíritos, recebendo hierarquia, aparência e funções próprias.

No caso de Astaroth, os registros que chegaram até nós permitem observar elementos dessas diferentes etapas, mas não autorizam reduzir toda a história a um único ato de transformação.

Quando antigos deuses passam a ser interpretados como demônios

Uma mudança importante ocorre dentro do pensamento cristão da Antiguidade tardia.

Autores cristãos passaram a interpretar diversos cultos pagãos dentro de uma cosmologia em que as divindades veneradas por outros povos poderiam ser entendidas como falsos deuses, espíritos enganadores ou demônios.

Agostinho de Hipona, escrevendo A Cidade de Deus no início do século V, desenvolve longamente uma crítica à religião politeísta e à ideia de que os chamados demônios poderiam funcionar como mediadores legítimos entre homens e deuses. 6

Comentários acadêmicos modernos sobre esses livros de Agostinho observam justamente sua argumentação segundo a qual os falsos deuses do paganismo poderiam ser interpretados como demônios que assumiam a identidade dessas divindades. 7

Isso não significa que Agostinho tenha escrito uma história específica de Astarte transformando-se em Astaroth.

Não escreveu.

O que esse material demonstra é a existência de um modelo teológico através do qual antigos deuses poderiam ser reinterpretados como entidades demoníacas.

A demonização de antigas divindades não precisa ser entendida como o desaparecimento de seus nomes, mas como uma mudança profunda no significado atribuído a eles.

Quando encontramos Astaroth dentro dos catálogos de espíritos

Ao chegarmos ao século XVI, a situação é muito diferente.

Astaroth já aparece dentro de textos de magia e demonologia europeias como um espírito masculino, inserido em hierarquias e associado à evocação ritual.

Um testemunho extremamente importante é o manuscrito Folger V.b.26, hoje preservado pela Folger Shakespeare Library e datado aproximadamente de 1577–1583. 8

O manuscrito contém uma versão do chamado Office of Spirits.

Nessa tradição textual, Astaroth aparece como entidade capaz de ensinar as artes liberais e responder sobre acontecimentos passados, presentes e futuros.

Sua aparência é descrita de forma monstruosa, montada sobre um dragão infernal e portando uma serpente. 9

Independentemente de como reconstruímos os textos anteriores perdidos que alimentaram essa tradição, esse registro demonstra algo muito importante:

no final do século XVI, Astaroth já estava firmemente integrado à literatura demonológica europeia.

Johann Weyer e a Pseudomonarchia Daemonum

Em 1577, Johann Weyer publicou a Pseudomonarchia Daemonum junto de uma edição de De Praestigiis Daemonum.

A obra apresenta um catálogo de espíritos que se tornaria extremamente influente na tradição demonológica posterior.

Astaroth aparece ali como o espírito número 28. 10

Weyer o apresenta como um grande e poderoso duque, que surge sob a aparência de um anjo desagradável, montado em um dragão infernal e carregando uma víbora.

A ele são atribuídas respostas sobre o passado, o presente, o futuro e os segredos.

Também conhece, segundo o texto, questões relativas à queda dos espíritos e ensina as artes liberais.

Weyer afirma ainda que Astaroth governa quarenta legiões. 10

Reginald Scot leva Astaroth para a língua inglesa

Poucos anos depois, em 1584, Reginald Scot publicou The Discoverie of Witchcraft.

Sua obra reproduziu em inglês grande parte do material demonológico associado a Weyer.

A descrição de Astaroth conserva praticamente os mesmos elementos: título de duque, aparência angelical deformada, dragão, víbora, conhecimento de segredos e domínio sobre quarenta legiões. 11

Há, porém, um detalhe particularmente interessante.

Em outra passagem, Scot associa explicitamente o nome Astaroth a uma divindade antiga que teria sido venerada e relacionada a Salomão. 11

Isso mostra que, já no século XVI, autores da própria tradição demonológica percebiam alguma relação entre o espírito catalogado e tradições religiosas antigas.

Onde aconteceu a masculinização de Astaroth?

Uma das mudanças mais visíveis dessa trajetória é o gênero.

Astarte é documentada como uma divindade feminina.

Porém, nos registros demonológicos do final do século XVI, Astaroth já aparece tratado como masculino e recebe o título hierárquico de Duque.

A pergunta natural é: quem realizou essa mudança?

A documentação conhecida não fornece uma resposta simples.

Não possuímos, até o momento, um documento único identificando um autor e declarando que decidiu transformar a antiga Deusa em uma figura masculina.

Portanto, seria historicamente imprudente inventar uma causa definitiva.

O que podemos afirmar é que, quando Astaroth entra nos grandes catálogos demonológicos europeus que sobreviveram, a masculinização já aconteceu.

Não conhecer exatamente o momento da mudança não significa que a mudança não possa ser observada. Significa apenas que não devemos preencher o silêncio das fontes com certeza inventada.

Astaroth na Ars Goetia

A tradição continuou a se desenvolver.

No século XVII, encontramos o Lemegeton Clavicula Salomonis, conhecido popularmente como The Lesser Key of Solomon. 12

Sua primeira parte, a Ars Goetia, apresenta um catálogo de 72 espíritos.

A pesquisa editorial de Joseph H. Peterson observa que esse catálogo deriva da tradição de Offices of Spirits através da tradução inglesa publicada por Reginald Scot, que por sua vez utilizou o catálogo de Weyer. 12

Na Ars Goetia, Astaroth passa a ocupar a posição 29. 13

Novamente, ele é chamado de poderoso duque.

Surge como um anjo de aparência desagradável, montado em uma criatura semelhante a um dragão, carregando uma víbora.

A descrição acrescenta a advertência contra seu hálito nocivo, dizendo que o exorcista deveria usar o anel mágico como proteção.

Suas atribuições permanecem muito próximas das versões anteriores: revelar segredos, responder sobre passado, presente e futuro, explicar a queda dos espíritos e ensinar as ciências liberais.

Também conserva as quarenta legiões. 13

Tradição textual

O Astaroth dos grimórios não surge do nada

I

Manuscritos de Offices of Spirits preservam descrições que já apresentam Astaroth como espírito demonológico.

II

Weyer registra Astaroth na Pseudomonarchia Daemonum em 1577.

III

Scot reproduz essa tradição em inglês em 1584.

IV

A Ars Goetia incorpora e reorganiza grande parte desse material no século XVII.

O Dictionnaire Infernal e a imagem que se tornou famosa

A construção visual de Astaroth ganhou uma nova camada no século XIX.

Jacques Collin de Plancy publicou pela primeira vez seu Dictionnaire Infernal em 1818.

A sexta edição, publicada em 1863, tornou-se especialmente conhecida pelas ilustrações de Louis Le Breton. 14

A entrada dedicada a Astaroth o chama de poderoso grão-duque do inferno e repete grande parte da tradição proveniente de Weyer: dragão, serpente, conhecimento de segredos, passado e futuro, artes liberais e quarenta legiões. 14

O mais revelador, porém, aparece logo depois.

Na edição de 1863, Collin de Plancy possui também uma entrada separada para Astarté.

E ali afirma, de maneira extremamente curiosa, que Astarté seria a “fêmea de Astaroth”. 15

Historicamente, essa afirmação não nos ensina quem era a antiga Astarte.

Pelo contrário.

Ela nos mostra até que ponto, no século XIX, a tradição demonológica já havia reorganizado a relação entre os nomes.

A divindade antiga, que precede o Astaroth demonológico em muitos séculos, aparece agora descrita como se fosse apenas uma contraparte feminina do demônio.

Este é um exemplo extraordinário de como uma tradição posterior pode inverter a memória histórica: aquilo que é mais antigo passa a ser explicado como derivação daquilo que surgiu depois.

O que mudou ao longo dos séculos?

Astarte

Contexto divino

Divindade feminina.

Culto religioso antigo.

Presença no Levante e no Mediterrâneo fenício.

Documentação arqueológica e histórica.

Astaroth

Contexto demonológico

Figura tratada como masculina.

Título de Duque.

Inserção em hierarquias de espíritos.

Dragão, serpente, legiões e evocação ritual.

Quando colocamos as fontes lado a lado, percebemos que não estamos diante de duas descrições idênticas.

Estamos diante de contextos religiosos profundamente diferentes.

E é justamente essa diferença que torna a trajetória de Astaroth tão importante para o estudo da história das religiões e da demonologia.

O que não podemos afirmar com certeza

Um projeto sério sobre Astaroth também precisa reconhecer aquilo que ainda não sabemos.

Não conseguimos apontar um único momento em que a antiga Astarte “se tornou” Astaroth.

Não sabemos identificar um único responsável pela masculinização.

Não possuímos uma cadeia documental completa ligando cada século sem lacunas.

E não é historicamente correto dizer que Inanna, Ishtar, Astarte, Ashtoreth e Astaroth são simplesmente nomes diferentes usados sem distinção para uma figura absolutamente idêntica.

Existem relações, aproximações, identificações, transformações e continuidades.

Mas também existem diferenças e rupturas.

Ser fiel à história também significa ter coragem de dizer “não sabemos” quando a documentação não permite uma resposta definitiva.

Como o Templo Soberano compreende essa transformação?

Aqui precisamos novamente separar dois campos: história documentada e tradição espiritual contemporânea.

Historicamente, podemos demonstrar que existiu uma antiga divindade chamada Astarte ou Ashtart; que seu nome e sua memória foram registrados de diferentes maneiras; e que séculos depois encontramos Astaroth inserido em uma estrutura demonológica completamente diferente.

Nossa vivência religiosa, porém, não começa nem termina na classificação dos grimórios.

No Templo Soberano de Astaroth, nós não adoramos Astaroth como um demônio.

Astaroth é adorada e cultuada por nós como uma antiga Divindade, cuja memória atravessou séculos de mudanças, conflitos religiosos, releituras e transformações.

O Astaroth demonológico faz parte dessa história.

Nós o estudamos.

Estudamos Weyer, a tradição dos grimórios, a Goetia, a iconografia demonológica e os documentos que contribuíram para formar essa representação.

Mas não consideramos essa representação tardia como a origem ou a totalidade de quem Astaroth é.

Para nós, sua figura demonológica representa uma das muitas camadas acumuladas ao longo de uma trajetória religiosa muito mais extensa.

Em nossa tradição, buscamos olhar para além dessas camadas posteriores e nos relacionamos com Astaroth em sua dimensão divina, feminina e soberana.

Ela é a Grande Deusa. Ela é a Soberana deste Templo.

Essa afirmação pertence à nossa prática religiosa e não é apresentada nesta Biblioteca como se fosse uma conclusão arqueológica ou acadêmica.

Justamente por respeitarmos nossa devoção, também respeitamos a diferença entre fé, experiência espiritual e documentação histórica.

A demonologia faz parte da história de Astaroth. Para nós, porém, ela não possui autoridade para definir sozinha quem a Soberana é.

Da Deusa à figura demonológica: uma história de transformação

A trajetória de Astaroth não pode ser reduzida a uma simples troca de nome.

Astarte pertence a antigas tradições religiosas do Oriente Próximo.

Ashtoreth aparece dentro de textos que já observam essa divindade por outra perspectiva religiosa.

O desenvolvimento do pensamento cristão fornece posteriormente uma estrutura teológica capaz de reinterpretar antigos deuses como espíritos demoníacos.

E, ao chegarmos à Europa do século XVI, Astaroth já se encontra integrado a catálogos de espíritos, com título, aparência, poderes e hierarquia.

Weyer registra essa figura. Scot a transmite. O Lemegeton a reorganiza. Collin de Plancy contribui para consolidar sua imagem visual.

Século após século, novas camadas foram acrescentadas.

Conhecer essas camadas não significa escolher apenas uma delas.

Significa compreender quando cada uma surgiu, quem a registrou e dentro de qual visão de mundo ela fazia sentido.

Antes de aceitar uma representação como verdade absoluta, é preciso perguntar: quem a escreveu, em qual época e através de qual religião estava olhando?

Pesquisa e documentação

Fontes e referências

Este artigo cruza fontes arqueológicas, textos religiosos, manuscritos, obras demonológicas e pesquisa acadêmica. As fontes são apresentadas conforme o contexto histórico a que pertencem.

01

The Metropolitan Museum of Art. Assyria to Iberia at the Dawn of the Classical Age. Material curatorial sobre a circulação de tradições do antigo Oriente Próximo e representações de Astarte/Ashtart pelo Mediterrâneo.

02

The Metropolitan Museum of Art. Terracotta Woman, Cypro-Archaic II, ca. 600–480 BCE. Registro arqueológico sobre a presença da veneração de Astarte em Chipre sob influência fenícia.

03

Bíblia Hebraica. 1 Reis 11:5. Texto no qual Ashtoreth é identificada como divindade dos sidônios/fenícios. Consultado através da biblioteca textual Sefaria.

04

Bíblia Hebraica. 2 Reis 23:13. Registro da condenação dos espaços cultuais relacionados a Ashtoreth no contexto das reformas atribuídas ao rei Josias.

05

Jastrow, Morris Jr.; Barton, George A. Ashtoreth. Jewish Encyclopedia. Discussão histórica e filológica da relação entre Ashtoreth e Ashtart, incluindo a interpretação tradicional envolvendo bosheth.

06

Agostinho de Hipona. De Civitate Dei — A Cidade de Deus, livros VIII e IX. Fonte primária para a discussão cristã sobre deuses pagãos, demônios e mediação espiritual na Antiguidade tardia.

07

Walsh, P. G.; O'Daly, Gerard. Estudos e comentários acadêmicos sobre os livros VI–X de De Civitate Dei. Oxford University Press / Liverpool University Press. Utilizados para contextualizar a crítica cristã aos deuses da religião pagã e sua associação com demônios.

08

Folger Shakespeare Library. Book of Magic, with instructions for invoking spirits, etc. Manuscrito V.b.26, aproximadamente 1577–1583. Catálogo oficial e descrição do manuscrito mágico preservado pela instituição.

09

Peterson, Joseph H.; Harms, Daniel. Transcrição do manuscrito Folger V.b.26 e do Liber Officiorum Spirituum. Fonte para a descrição de Astaroth em um testemunho manuscrito do século XVI.

10

Johann Weyer. Pseudomonarchia Daemonum. Edição de 1577. Edição digital e notas de Joseph H. Peterson. Fonte primária para Astaroth como espírito nº 28, duque e comandante de quarenta legiões.

11

Reginald Scot. The Discoverie of Witchcraft. 1584. Fonte para a transmissão inglesa da descrição demonológica de Astaroth e para a associação feita pelo próprio autor com antigas tradições religiosas.

12

Lemegeton Clavicula Salomonis. Introdução histórica da edição de Joseph H. Peterson. Fonte para a tradição manuscrita do século XVII e para a relação textual entre Weyer, Scot e a Ars Goetia.

13

Lemegeton Clavicula Salomonis. Ars Goetia. Entrada nº 29: Astaroth. Edição de Joseph H. Peterson. Fonte para sua descrição, atribuições, selo e quarenta legiões.

14

Jacques Collin de Plancy. Dictionnaire Infernal. Sexta edição, 1863. Entrada “Astaroth”. Ilustrações de Louis Le Breton. Fonte para a consolidação oitocentista da representação demonológica de Astaroth.

15

Jacques Collin de Plancy. Dictionnaire Infernal, 6ª edição, 1863. Entrada “Astarté”. Documento particularmente importante para observar como a tradição demonológica do século XIX passou a inverter a relação histórica entre Astarte e Astaroth.

Nota editorial: o título “da Deusa à figura demonológica” descreve uma longa trajetória de transformação religiosa e cultural. Ele não deve ser interpretado como a afirmação de que exista uma sequência documental simples, direta e ininterrupta na qual Astarte tenha sido oficialmente renomeada Astaroth em um único momento histórico. Sempre que a documentação apresentar lacunas ou interpretações disputadas, esta Biblioteca buscará indicá-las.

Biblioteca do Templo Sacerdotisa Jocyana

Templo Soberano de Astaroth

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